No tempo das amoras tudo pode acontecer.

26 de fevereiro de 2012

Rosa passou o dia a tentar que ninguém no trabalho desse conta da reviravolta que a sua vida havia dado no fim-de-semana. Também ela tinha a ideia de manter a aparência de que tudo estava bem e nada a abalava. Ensinamentos dos pai. - Quem te vir em baixo vai querer ver-te mais em baixo ainda, por isso nunca se mostra o rabo filha, não falta gente que nos queira ver mal. - As palavras do patriarca eram sábias. Mesmo quem considerava pessoas de confiança haviam sido capaz de uma atrocidade daquelas quanto mais colegas de trabalho que respiravam inveja por todos os poros.
O telemóvel de Rosa tocou às 5 para a uma, altura que se preparava para ir almoçar. Era o seu pai.
- Sim?
- Rosa, filha, a polícia já te ligou?
- Polícia? A mim não. Porquê, é suposto ligarem-me por algum motivo?
- Sim, por causa do incêndio. Foi fogo posto, por isso eles estão a interrogar toda a gente. O teu irmão já foi ouvido hoje durante a manhã.
- Eu não tenho nada a ver com a empresa pai, não tenho nada que ser ouvida.
- Eu acho que eles suspeitam de alguém de dentro da empresa ou da família. Sabes como são os seguros...
- Só me faltava mais essa agora, pensarem que eu peguei fogo àquilo, eu nem estava cá papá...
- Não me parece que desconfiem diretamente de ti.
- Direitamente? Como assim?
- Tenho para mim que suspeitam do Miguel. O meu interrogatório foi todo em torno do teu marido,  e o do teu irmão também. Certamente já foi ouvido também...
- Isso é um disparate pai. Mas não me importa que me liguem e eu responderei o que souber.
- Pronto filha era só para não te apanharem desprevenida.
- Eu nunca estou desprevenida pai, tu ensinaste-me isso em teoria e a vida encarregou-se de me mostrar a parte prática. 
-Cuida-te filha.
- Adeus pai.
As palavras do pai ecoavam na cabeça. Quem poderia fazer uma coisa daquelas e com que propósito? Seria o Miguel capaz daquilo? E com que intuito? 

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