No tempo das amoras tudo pode acontecer.

22 de fevereiro de 2012

Rosa acordou com o sol a bater-lhe na cara pelas frinchas da persiana. Teve de pensar duas vezes onde estava, não estava habituada a tomar medicação para dormir, sabia de antemão que quando o fazia tinha direito a acordar completamente atordoada. 
Lembrou-se de Miguel. Será que ainda estava a na sala? Estava decidida, se estivesse ia pura e simplesmente ignorá-lo.
Tomou um duche rápido, vestiu-se como se de um dia normal se tratasse e sem esquecer do detalhe do perfume saiu do quarto, pronta para mais um dia.
Miguel estava na sala. Acordado, sentado no sofá, mexia de forma sonora uma caneca de leite com café que fumegava mais do que deveria para um dia de calor como o que estava.
-Rosa, bom dia, fiz café quente. - lançou Miguel na esperança de que a mulher lhe dirigisse a palavra. 
- Se fizeste café não deverias ter feito. Nem sei o que estás aqui a fazer, pensei que tinha deixado bem claro que não te queria mais aqui. Não queria nem quero. 
- Esta casa também é minha Rosa.
- Se quiseres então saio eu, esta casa é minha e tua, não é mais nossa. Pago-te a tua parte e passa a ser só minha. Acho que vai ser fácil fazer as partilhas. O contracto pré nupcial que os teus mais nos obrigaram a fazer vai dar muito muito jeito. 
Aquando do casamento, os pais de Miguel haviam falado em fazer um acordo pré nupcial. A vida havia-lhes corrido muito bem e tinham medo que Rosa pudesse querer o filho por interesse. Os pais de Rosa tinham alguns bens mas na altura a empresa destes não corria tão bem como hoje, constava-se que poderiam ter algumas dívidas e que a falência se aproximava. Uma parceria com uma empresa alemã viera dar novo alento à firma que começou a ser a mais rentável da zona e a dar cartas no mercado internacional. Ao contrário os pais de Miguel que se encontravam muito perto de uma falência declarada.
-Não achas um pouco precipitado Rosa? Tens a certeza que queremos isto?
- Desculpa? Estas a gozar comigo não estás Miguel? - Rosa  pegou na sua mala e numa maçã da cozinha e dirigiu-se para a porta de saída lançando para o ar um: - O meu advogado depois fala contigo, se não tiveres para onde ir para já, avisa-o que eu arranjo, os dois aqui, não obrigado.
Passou a porta de entrada e sentiu-se bem, aliviada. Ergueu a cabeça a pensou " bom dia mundo".

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